Conselhos ambientais em foco: nova edição do curso forma agentes públicos para enfrentar desafios locais e globais
Curso da Oficina Municipal forma conselheiros municipais de meio ambiente com foco em governança, justiça climática e sustentabilidade local.

Com o agravamento das mudanças climáticas e a crescente pressão sobre os recursos naturais, fortalecer a governança ambiental deixou de ser opção e se tornou urgência. Nesse cenário, os conselhos municipais de meio ambiente têm papel estratégico: são espaços de diálogo entre Estado e sociedade capazes de impulsionar soluções locais para problemas de escala global.
Em outubro, a Oficina Municipal deu início à 4ª edição do Programa de Formação para Conselheiros Municipais, realizado com o apoio da Fundação Konrad Adenauer (KAS-Brasil). A proposta é clara: capacitar conselheiros para atuarem de forma crítica, técnica e colaborativa na formulação de políticas públicas ambientais.
Um programa com 19 aulas e um olhar sistêmico
Com 19 encontros realizados entre outubro e novembro, o curso oferece conteúdos que articulam teoria e prática, conectando a agenda global de sustentabilidade às responsabilidades municipais. As aulas acontecem às terças e quintas-feiras e abordam temas como: Planejamento ambiental local; Licenciamento em consórcios intermunicipais; Governança da água; Mobilidade urbana sustentável; Justiça climática e fiscal; Gestão de áreas verdes e fauna urbana; Modelos de governança para conselhos municipais.
Cada encontro busca fortalecer a atuação dos conselheiros na gestão pública e ampliar sua compreensão sobre os instrumentos de participação social.
Do bem comum à governança da água
A aula inaugural, realizada em 2 de outubro, trouxe o tema “Ecologia e Bem Comum”, com o professor Francisco Borba. Inspirado na Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, o encontro propôs uma abordagem ética e cidadã da gestão ambiental, aproximando espiritualidade, ecologia e políticas públicas.
No dia 7, foi a vez do professor Ângelo Lima tratar da governança da água no Brasil, discutindo as estruturas federativas e os desafios políticos para a gestão de um recurso essencial, muitas vezes invisível nos debates locais.
Sustentabilidade no centro da política pública
A sequência do curso seguiu com a professora Ana Carolina Abreu, que abordou como as agendas ambientais nacional e internacional influenciam o planejamento municipal. O objetivo foi fortalecer a capacidade dos conselheiros de alinhar as políticas locais aos compromissos assumidos globalmente.
No dia 14, Ana Paula Bissoli discutiu os licenciamentos em consórcios intermunicipais, uma alternativa que pode gerar ganhos ambientais, administrativos e econômicos. Já no dia 16, Daniel Guth destacou como a mobilidade urbana e o uso da bicicleta podem ser aliados da sustentabilidade e da inclusão social.
Justiça climática, participação e espaços verdes
Encaminhando o fim de outubro, o curso trouxe reflexões sobre justiça climática, com Diego Pereira (21/10), e governabilidade municipal, com Bruno Silva (23/10), analisando os limites e possibilidades da atuação dos conselhos frente às estruturas de poder local.
Nos dias 28 e 30, o foco recai sobre o cotidiano urbano: Marília Fannuchi explora a gestão de áreas verdes e fauna urbana em tempos de crise climática, e os professores Larissa Neli e Elias Adriano discutem boas práticas de governança nos conselhos ambientais.
Mais do que um curso, o programa representa um espaço de formação cidadã voltado à qualificação da participação social na política ambiental. Ao capacitar conselheiros e gestores, contribui para o fortalecimento democrático e para o desenvolvimento de cidades mais justas e sustentáveis.
