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Participação social na prática: caminhos para fortalecer a democracia no município

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Na aula final do módulo Princípios da Democracia, Tamara Crantschaninov discutiu por que participação dá trabalho e como conselhos, audiências e transparência viram ferramentas de controle social.

Na noite de 22 de janeiro de 2026, a Oficina Municipal encerrou o módulo Princípios da Democracia (programa Cidadania e Política, em parceria com a Fundação Konrad Adenauer) com a aula “Democracia e participação social na prática”, conduzida por Tamara Crantschaninov.

A proposta foi direta: colocar a participação no chão da vida pública. Menos como ideal abstrato, mais como prática cotidiana — especialmente no nível municipal, onde as decisões encostam na rotina de quem usa a cidade.

Democracia dá trabalho (e esse é o ponto)

Logo no início, Tamara trouxe uma provocação que atravessou a aula: a tendência de se afastar da política” não é neutra. Ela lembrou que esse discurso afasta pessoas das estruturas onde decisões são tomadas e, pior, abre espaço para que decisões sigam acontecendo sem debate. Na formulação da professora, “a desmobilização da participação é um projeto”, justamente porque manter gente fora do jogo reduz o custo de governar sem diálogo e sem convencimento.

A participação, ela insistiu, é cansativa mesmo — e não por acaso. “A democracia é cansativa porque ela exige o diálogo. O diálogo constante”, afirmou, descrevendo também a angústia de quem está na gestão e precisa lidar com demandas diversas e simultâneas. A saída, segundo ela, é o oposto da desistência: insistir lentamente e de forma incremental, com a consciência de que construir coesão social leva tempo.

Onde a participação acontece na vida real

A aula também organizou o mapa dos instrumentos que aproximam sociedade e governo como parte do funcionamento democrático. Tamara destacou obrigações de transparência que sustentam o controle social, como a Lei Complementar 131/2009 (Lei de Transparência) e a Lei 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação), além de espaços e processos como conselhos de políticas públicas, audiências públicas, conferências públicas, PPAs e orçamentos participativos.

Um ponto interessante foi a sugestão de olhar esses arranjos como “interfaces”: arenas de negociação e conflito entre Estado e sociedade, e não como um lugar “decorativo” de participação. “Eu gosto dessa ideia da interface… ela deixa mais equilibrado os espaços de negociação e de conflito”, disse, chamando atenção para o risco de burocratização desses espaços quando a participação vira só rito administrativo.

Sociedade civil, conflito e organização: o antídoto contra a erosão

No fechamento, Tamara defendeu uma ideia que dá nome ao “na prática”: participação não começa quando alguém entra num conselho. Começa antes, quando a pessoa se reconhece como sujeito político e entende que tem um projeto (mesmo que inicial) para defender. “A nossa participação começa quando eu me reconheço como um sujeito político, um ator relevante pro sistema político”, afirmou, conectando isso à necessidade de organização e construção coletiva de caminhos de atuação.

Daí veio uma das falas mais fortes da noite: “Sem conflito contraditório não há democracia. E sem a organização social também não há democracia”. Para ela, uma sociedade civil forte é o que sustenta a capacidade de questionar, renovar prioridades e impedir que a democracia “morra facilmente”.

E, para quem quer sair do diagnóstico e ir para a ação, a aula também passou por passos simples (e úteis) de construção de projeto coletivo: identificar incômodos, mapear causas, localizar espaços mais promissores de atuação e reunir gente para construir um plano de ação com prazos e tarefas distintas.

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A aula com Tamara Crantschaninov encerrou o módulo Princípios da Democracia, parte do programa Cidadania e Política, realizado pela Oficina Municipal em parceria com a Fundação Konrad Adenauer. A próxima etapa já foi anunciada: o módulo Política no Brasil acontece de 2 a 5 de fevereiro. Inscreva-se aqui e participe.

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